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BRASIL, Sudeste, QUISSAMA, Mulher, de 20 a 25 anos, Animais, Livros, palavras-cruzadas!!!

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João Francisco

Uma fina camada de areia

Espreme-se entre mar e lagoa

Lá o tempo parece que voa

E a vida parece que freia

 

As ondas revoltas no mar

Anunciam iminente perigo

Balé marcante, agressivo

Poucos ousam enfrentar

 

Só nos resta, então, assistir

À linda mistura de tons

Azuis, verdes, marrons

Dá vontade de aplaudir

 

Em clima de contemplação

Em atmosfera de paz

Deixo pegadas para trás

Cato conchas pelo chão

 

Gozando carícias do vento

Sinto cheiro de maresia

Admiro a praia vazia

E adormeço ao acalento

 

 



 Escrito por Paulinha às 13h43
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Izabel

Ainda era uma menina quando precisou se transformar em mulher. Não por vontade própria, mas por força do destino. Destino esse que decidira ser tão cruel com ela, levando consigo seu porto-seguro, seu chão, sua mãe. Teve de enfrentar sozinha a tarefa de ser responsável pelos próprios atos, de decidir seu futuro, de encarar a dura realidade da vida. Deixou a inocência e a fragilidade de lado. Isso a fez mais forte, mais segura, mais mulher. A determinação transbordava de seus olhos expressivos, como se desafiasse tudo à sua frente. Nada poderia ferir aquele coração blindado, endurecido pelas mágoas. Aos outros, ela parecia intransponível e intimidadora. Mal sabiam eles que isso não era verdade; as aparências enganam. Por trás da cortina de aço, havia uma centelha prestes a se alastrar: aquela menina, outrora esquecida, ainda permanecia viva em seu âmago. Bastava um estímulo, alguém que soubesse tocar seu coração, que entendesse sua necessidade de carinho. Mas os outros continuavam a temer sua personalidade forte e ela seguia resignadamente seu destino, espinhoso destino. Apesar de tudo, considerava-se feliz. Não tinha tudo que queria, pelo contrário, mas amava a vida. Confiava em si mesma, era ciente de seu caráter, sabia exatamente quem ela era. Apenas queria ter a oportunidade de se mostrar verdadeiramente a alguém. Mostrar que seu coração blindado ainda sangrava, repleto de inocência e fragilidade. Ela só precisava de um porto-seguro, de um chão. Era forte, obstinada e conhecia a si mesmo. Estava pronta para enfrentar o destino e sugar dele tudo aquilo que lhe fora roubado. E sabia que, dessa vez, iria ganhar, pois não tinha o que perder.

 

Texto em homenagem a outra amiga.



 Escrito por Paulinha às 20h39
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Helena

Poucos reparavam naquela pequenina e silenciosa figura, que parecia fazer parte da decoração do ambiente, tal era sua imobilidade. Mal dava para perceber os movimentos que fazia, de tão suaves e delicados. Quem a visse era capaz de confundi-la com as pinturas que a cercavam. Sua presença só era notada quando, vez ou outra, ela alongava seu corpo retesado em função do trabalho. Era restauradora e dedicava-se à profissão de corpo e alma, a fim de salvar aquelas frágeis obras maltratadas pelo tempo. Aliás, era contra ele que lutava tão arduamente, contra a força da destruição de séculos passados, contra a própria Natureza. Não, ela não permitiria que tão belas obras apodrecessem, derrotadas pelo tempo. Era por isso que trabalhava com esmero, perdida na importância de cada pormenor, hipnotizada pelo significado de cada ínfimo detalhe. Os óculos pendiam de seu rosto concentrado, seus olhos pareciam não piscar, o movimento das mãos era suave porém firme, a respiração sempre tranqüila e pausada. Parecia divagar. Era como se estivesse em outra dimensão, em outro tempo, quem sabe buscando sentir a mesma inspiração que tivera o autor da obra que restaurava. Passava dias inteiros assim, compenetrada em seu ofício, na arte de salvar a arte. Quando o sol se punha, ela levantava delicadamente, alongava seu corpo retesado, dava um longo suspiro e sorria, como se estivesse agradecendo os aplausos fervorosos dos ilustres artistas que enfim poderiam descansar em paz.

 

 

Texto em homenagem a uma grande amiga restauradora, responsável por salvar muitos patrimônios culturais em Quissamã.

 



 Escrito por Paulinha às 11h32
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O Vendaval

De onde vem tanta ira

Impetuoso vendaval

Vai-te embora e retira

De teu peito todo o mal

 

Tu abrandas o calor

Seja dita a verdade

Mas controla teu furor

E reduza à metade

 

Tu invades minha terra

Como um bruto tufão

Queres luta, queres guerra

Quase viras furacão

 

Acalma-te, vento raivoso

Afasta teu imo das trevas

Tu és rude e rancoroso

Onde passas, tudo levas

 

Não te tornes irritado

Tenha a paz como preceito

Chegue brando e sossegado

Só renova o ar de meu peito

 



 Escrito por Paulinha às 15h32
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Machadinha

O sol se põe atrás da Capela

Paisagem sacra e bela

Como anunciação

 

A noite chega faceira

Ascende-se a fogueira

Apaga-se o lampião

 

Das senzalas, olhares atentos

Transbordam força e sofrimento

Lembranças da Escravidão

 

Velhos, adultos e crianças

Pés descalços, vestes brancas

Olhares fixos no chão

 

Ao primeiro toque do tambor

Uma energia de raça e de cor

Penetra no coração

 

Negra herança do passado

Cantoria e requebrado

Na força da tradição

 

    



 Escrito por Paulinha às 15h19
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Fim de tarde em Barra do Furado

Eram quatro horas da tarde, do horário de verão. O sol forte queimava a pele como fogo. Sentei-me na pequena faixa de areia, cercada por pedras, mar e lagoa. Verdadeiro cartão-postal. Deixei o vento soprar meu rosto, trazendo consigo a maresia inebriante daquele misterioso oceano. Não resisti. Entreguei-me ao mar, como uma oferenda à Iemanjá. Pulei ondas, nadei de um lado a outro, mergulhei até me cansar. Lembrei-me dos tempos de criança e fui tomada por uma alegria nostálgica. Estendi minha canga e deitei olhando para o céu azul turquesa. Observei barcos e seus pescadores. Admirei fragatas e atobás. Até uma singela borboleta surgiu entre as folhagens nas pedras. Observei os meninos surfando, pequeninos em suas pranchas, como peixinhos agitados. Não passavam de dez anos, mas pareciam surfar há décadas. Perto deles, manchas escuras dançavam na água, como em um balé clássico. Tubarões? Não. Botos, como fui descobrir mais tarde. O sol já ardia novamente em minha pele. Levantei-me e caminhei até o lado da lagoa. Fui entrando aos pouquinhos, chutando poças, deliciando-me gradativamente com o frescor. Estendi-me na fina camada de água, deixando-a encobrir meu corpo como um lençol. Respirei fundo, fechei os olhos e meditei. Como som ambiente, a música da Natureza. Como pano de fundo, a paz. Poderia permanecer ali por horas, mas a noite chegava e trazia com ela um friozinho incômodo. Como bons anfitriões avisando, sentidamente, que a festa havia chegado ao fim. De corpo e alma lavados, enrolei-me na toalha, senti os dentes tilintando e os pêlos arrepiarem. Pude ver o sol e a lua no céu. Enigmática paisagem. A essa altura, o vento já varria os meninos do mar e a pequena praia ficou deserta. Lá restamos eu e Deus. Olhei para o céu, agora escuro, e aplaudi. Ovacionei o maravilhoso espetáculo que Ele me ofereceu. Dei boa noite ao sol, à lua, ao mar, à lagoa e ao vento. Fui-me embora de pés descalços, cabelos esvoaçantes e coração repousado.

 



 Escrito por Paulinha às 15h44
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O Baobá

Ó, grandioso Baobá

Símbolo de perseverança

Sei que igual a ti não há

És força, és esperança

 

Já vieram as torrentes

Já vieram as ventanias

E tu, sabiamente

Aguardaste a calmaria

 

Já armaram confusão

Já travaram muitas lutas

Tu fincaste firme ao chão

Densas raízes resolutas

 

Os séculos que se passaram

Não tiraram o teu vigor

Tuas forças renovaram

És motivo de louvor

 

Em tua sombra vejo o futuro

E o tempo que está por vir

Tu és firme, estável e seguro

Vou-me embora antes de ti

 

 



 Escrito por Paulinha às 10h08
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Lagoa Feia

Quem disse que tu és feia

Lagoa vasta e escura

Tu és vento, tu és areia

Misteriosa mistura

 

Para mim, tu és bela

Rica em tua imensidão

Pintura de aquarela

Desenho feito a mão

 

És tesouro dos pescadores

De traíras e tucunarés

És diversão dos nadadores

Entre taboas e aguapés

 

Emociona-me a tua grandeza

A força em tuas águas contida

Espetáculo da Natureza

Fonte de paz e de vida

 

Perdoa, injustiçada lagoa

Os que de feia te chamam

Tu és bela, forte e boa

No fundo, todos te amam

 



 Escrito por Paulinha às 09h08
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Por onde anda a criatividade?

Há tempos que não escrevo neste blog. Motivos não faltam. Ou melhor, desculpas. No início, era novidade e, por essa razão, a criatividade aflorava e havia sempre algo a escrever. Depois, a gente vai relaxando, cedendo lugar à preguiça e afastando as boas idéias que teimam em nos rondar. "Ah, não tenho mais nada sobre o que escrever..." Não tenho? Quem não tem? Já dizia uma professora minha, da época da PUC: qualquer história, se bem contada, é um best-seller. Não que o meu blog seja lá essas maravilhas... Mas a decisão de voltar a atualizá-lo veio da descoberta de que as pessoas estavam gostando do que liam aqui. Em mais de um ano de blog parado, vira e mexe eu ainda recebo mensagens sobre ele. Daí ressurgiu a motivação. E espero que ela permaneça.

 

Então, o primeiro passo já foi dado: lembrar o login e a senha do blog. Já o segundo passo, que é escrever, confesso que está sendo difícil. Onde anda a bendita criatividade quando a gente mais precisa? Não sei. Só sei que por aqui ela não está. Talvez eu precise pegar um pouco de ar fresco na varanda da minha casa, conversar com as minhas plantas, observar os patos nadando no laguinho do quintal (e as rolinhas, enquanto isso, roubando a ração deles). Não, não deu muito certo. Quem sabe então deitar na rede e deixar o vento bater na minha cara ou aproveitar o solzinho brando que ora some ora aparece por entre as nuvens algodoadas. Não, também não foi essa a solução. Na faculdade, aprendi que a gente deve deixar a criatividade aparecer por si só, pois ela é temperamental e baixa na nossa alma quando bem entende, e não quando a gente quer. A danada, pelo visto, não quer trabalhar agora e vai me deixar na mão.

 

Paciência, fazer o quê? Mesmo depois de passar um domingo maravilhoso na Praia de João Francisco, entre gaivotas e atobás, com direito a banho de mar e de lagoa, a criatividade não vem. Mesmo depois da vitória do Flamengo contra o Grêmio (meeeeengo!!!) e do 2o lugar do Felipe Massa na Fórmula 1. Mesmo depois de jogar conversa fora e ver o pôr-do-sol quase às 19h - bendito horário de verão - com amigos no bar da "Goínha", a criatvidade não aparece. Talvez seja por causa do lixo que encontrei na praia ou por causa do bêbado que colocou o som do bugre nas alturas, num forró abestado, tirando toda e qualquer possibilidade de raciocínio num ser humano. Ou quem sabe seja por causa das tragédias e dos escândalos que vieram fechar meu dia nas notícias do Fantástico.

 

Não, definitivamente não é isso. Lá venho eu com as minhas deculpas novamente. Tenho tanta, mas tanta história pra contar, que não consigo achar um foco. Tudo parece vir de uma vez só na minha cabeça e eu estou completamente perdida. Mas, calma! Vamos relaxar. Segundo a tradição budista, podemos encontrar o eqüilíbrio de corpo e mente com a repetição do mantra "ohm", intercalado com inspirações e expirações suaves. Ohm, ohm, oooooohm... Não, também não deu certo. Resta-me abrir meu livrinho da sabedoria, do Dalai-Lama, e encontrar a mensagem ideal para esse momento da minha vida:

 

"É durante as fases de maior adversidade que surgem as grandes oportunidades de se fazer o bem a si mesmo e aos outros."

 

Caramba! Essa veio a calhar... Não é à toa que Dalai-Lama é chamado de Sua Santidade! A adversidade me acompanhou durante todo esse texto: encontrar algo interessante a se escrever. E agora, depois das palavras do Lama, entendo que o bem a mim mesma eu já fiz: compartilhar aquilo que assolava minha mente. Sinto-me bem mais leve. Voltar a escrever aqui, mesmo sem ter o que falar, já foi muito gratificante. Espero que as palavras de sabedoria se realizem por completo e que eu possa ter feito o bem para todos vocês também, na leitura desse texto.

 

Ó, Sua Santidade, o que seria de mim e desse texto sem a Sua sabedoria? Porque a MINHA deve estar de farra com a criatividade, ambas rindo do meu desespero e, ao mesmo tempo, vangloriando-se por saberem que sem elas eu não sou ninguém. Mas deixem estar, que quando elas retornarem dessa escapada rebelde vão se ver comigo. E no próximo post eu dou o troco.



 Escrito por Paulinha às 10h46
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XV Exposição Agropecuária de Quissamã

Boas notícias, pessoal! A XV Exposição Agropecuária de Quissamã finalmente está chegando. Para quem não agüentava mais esperar, eis aqui a programação:

 

13/07 (5ª f.) – Show Gospel com Fernandinho

14/07 (6ª f.) – Kelly Key

15/07 (Sáb.) – Pitty

16/07 (Dom.) – Bruno e Marrone

 

Os shows começam por volta de meia-noite (com exceção de domingo, que é mais cedo), mas antes haverá rodeios, festas do laço, leilões de gado e bandas locais para animar o público. Além disso, um espaço será reservado para 120 expositores locais, que estarão espalhados em 85 stands. E a VETERINÁRIA QUISSAMÃ será um deles! Que chique, né???

 

Bandeira de Quissamã

 

O evento é muito legal, como toda exposição agropecuária. Ano passado eu fui e adorei. O espaço é enorme, não fica gente apinhada, dá para comer e beber de tudo, existem muitas coisas legais para se comprar e os shows são bastante animados.

 

Aos interessados, sugiro que reservem as pousadas desde já, pois a cidade costuma encher e não tem espaço para acolher tanta gente. A expectativa de público é de 80 mil pessoas (lembrando que a cidade só tem 3 pousadas e 1 hotel). Aconselho também a trazerem bastante agasalhos, já que essa época é fria e o espaço é descampado.

 

Para facilitar a vida de você, aqui estão os telefones dos locais para ficar:

 

Pousada do Mano – (0xx22) 2768-1064 *

Pousada Quissamã – (0xx22) 2768-6714 *

Pousada e Cantina da Zé – (0xx22) 2768-1248

Hotel Maravilha – (0xx22) 2768-1103

 

Ah, e os horários dos ônibus:

 

Empresa 1001

 

Saída :  Chegada:

7h30    11h20

13h30   17h20

19h40   23h30

 

Preço: R$30,82

 

* Recomendo!

 

Brasão de Quissamã

 

Pronto! Agora não tem desculpa, heim?! Está tudo esmiuçadinho para vocês. É só aparecerem. E me darem a honra da visita, é claro!



 Escrito por Paulinha às 19h39
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Aparência X Essência

Dia 6 de junho fez um ano que vim para Quissa. Parece que foi ontem que conheci essa cidadezinha pela primeira vez. Nunca tinha ouvido falar em Quissamã. Provavelmente, a maioria de vocês também não. Quem diria que eu, criada durante 22 anos seguindo os ditames urbanos e capitalistas, iria me enfiar nesse fim de mundo.

 

A primeira vez que pisei em Quissa, confesso que me assustei. Recém saída de uma tumultuada metrópole, deparei-me em uma cidade quase fantasma. Cadê os ônibus, os viadutos, os engarrafamentos? E os camelôs, os flanelinhas, os meninos malabaristas dos sinais? Aliás, cadê os sinais??? Fiquei um pouco perdida, procurando alguma referência, algo familiar, mas nada. Que cidade mais esquisita!

 

A segunda vez não foi diferente. Peguei um ônibus que demorou cinco horas e meia até o destino. Paramos umas quatro vezes. Quando chegou em Macaé, praticamente o ônibus inteiro desceu. Logo depois, em Carapebus, os poucos passageiros também se foram. Restamos eu e uma senhorinha. O motorista se levantou, andou até o banco onde ela estava, falou alguma coisa e sorriu. Depois, chegou até a mim e perguntou: “Você vai para Quissamã?”, ao que respondi que sim. Então, ele arregalou os olhos e, sussurrando, comentou: “Tem certeza???” e saiu dando uma gargalhada. Que Nossa Senhora do Desterro me proteja, pensei.

 

E foi assim no começo, até eu me acostumar com a pacatez da cidade. A primeira festa, o primeiro encontro no barzinho, os primeiros eventos comemorativos... Tão diferente! É um susto inicial que, aos poucos, vai se tornando comum, pelo menos para nós que moramos aqui. Mas quem vem me visitar ainda se espanta. Totalmente compreensível. Por quê? Eis alguns exemplos:

 

Aqui, a Prefeitura promove muitos shows gratuitos, para tudo quanto é gosto. Em apenas um ano, já passaram pela cidade Geraldo Azevedo, Fabio Junior, Grupo Molejo, Gabriel o Pensador, Alceu Valença, Beth Carvalho, Tribo de Jah, Tony Garrido e outros tantos que não vou lembrar agora. Os quissamaenses até que comparecem, mas a animação é outra história: ninguém bate palmas, pula ou grita, não precisa nem de segurança. É tão estranho que chega a ser engraçado. Os coitados dos artistas devem achar que é algo pessoal. Mas é assim sempre.

 

As festinhas, que aqui todos chamam de “motivo”, também são pra lá de diferentes. Ou são regadas de muito funk e axé (socorro!) ou não têm quase ninguém. Resumem-se ao antigo Clube Recreativo de Quissamã, ao Enigma Night Club, que inicialmente era um “clube de lazer” (para não ser grosseira), ou à casa de algum quissamaense – nesse último caso, nos convites vem escrito assim: “Local: Casa de Fulaninho”. Via de regra, existem uns eventos legais, com bandinhas boas, que tocam pop, rock e até anos 80. Dá para se esbaldar a noite inteira, sem estresse de brigas, roubos ou pessoas inconvenientes. E melhor: você pode beber todas que sua casa é ali do lado.

 

Contudo, a grande programação daqui é o Beto´s Bar, o melhor dos barezinhos fuleiros de Quissa. É só atravessar a rua e pronto, estamos nele. É lá que tem o melhor caldo verde do mundo (juro!), bem como o mocotó, a costela e a rabada. Durante a semana, nada melhor do que tomar uma cervejinha e ver trechos de “Belíssima”, enquanto o papo flui com as mais ou menos 15 pessoas que vão se chegando. É o point!

 

Realmente Quissamã não tem muita opção para sair. Mas as poucas que têm são muito legais. Dá para se divertir à beça, principalmente porque você encontra todo mundo que conhece. E quando não tem nada para fazer, a gente inventa. É churrasco na casa de um, piscina na casa de outro, joguinho e, principalmente, muita conversa fiada.

 

Sinceramente, aquilo que antes me apavorava, hoje me deixa feliz. É exatamente pelo fato de não se ter nada para fazer que nós fazemos muitos amigos e estamos sempre juntos. Por não haver grandes programações, nós nos unimos de tal forma que toda e qualquer coisa que fazemos é legal. As relações humanas se tornam muito mais fortes. Não importa o lugar, mas sim as pessoas. Isso é o máximo.

 

Quissamã me ensinou aquilo que o Pequeno Príncipe precisou viajar o Universo inteiro para entender: o que realmente importa é a essência das coisas e das pessoas. Não preciso de uma boate famosa onde se paga pelo menos R$20 só para entrar, de um barzinho norte-americanizado cujo um único chopp custa R$3, ou de uma festança para fazer “social” que só entra quem usar traje esporte fino. Isso não passa de aparências. Preciso de amigos, pessoas que gostem de mim, gente interessante e desprendida, que curte um bom papo e, assim como eu, o simples fato de estarmos juntas. O que eu quero é qualidade de relacionamento. Afinal, o valor das amizades está na simplicidade de que elas necessitam. Para estar feliz, um amigo só precisa de um outro amigo. Nada mais.

 



 Escrito por Paulinha às 15h54
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Pressa pra quê?

Para andar o centro todinho de Quissamã a pé você leva cerca de 20 minutos (devagar). De carro não passa de cinco. Uma rua principal de ida, outra de volta e mais as transversais. Pronto, acabou. Aqui não precisa pegar ônibus para nada (nem tem, aliás, só para trajetos longos) porque tudo é muito perto. Digo o comércio, pois em termos de território Quissamã é grande. Mas você é capaz de resolver mil problemas na rua em apenas uma hora. Em menos ainda se você tiver o meio de transporte mais utilizado pelos quissamaenses: a bicicleta, que, diga-se de passagem, é o veículo preferencial, seja nas calçadas ou no meio da rua.

 

Contudo, isso não passa de teoria, pois na prática a coisa é bem diferente. O que você poderia fazer em cinco minutos, acaba fazendo em meia hora. Por quê? Simplesmente porque você conhece a cidade inteira (oooooh!) e, como um cidadão simpático que se preza, tem que parar para falar com um aqui, outro acolá... Em cada esquina lá se vão cinco minutos e, quando você vai ver, a hora passou voando. Papo vai, papo vem, a gente acaba sabendo da vida de todo mundo, até daqueles que nem conhecemos.

 

Se tiver pressa, meu amigo, das duas uma: ou você pega um carro, preferencialmente com insulfilme nos vidros, e tira uma reta sem olhar para os lados (cuidado com as bicicletas!), ou veste um disfarce, com óculos escuros e chapéu, e anda olhando para o chão. Aliás, esqueçam a segunda alternativa, pois assim mesmo é que você vai ser o centro das atenções. Se não tiver carro, tente andar pelos “atalhos”, aquelas ruas menos movimentadas. Mas mesmo assim pode contar que você vai esbarrar com pelo menos um conhecido seu. A melhor solução mesmo é fingir que está rouco, vai te economizar uns três minutos. Infelizmente, isso só dá para fazer no máximo uma vez por mês, para ninguém desconfiar.

 

Anti-sociais, pessoas com síndrome de perseguição, antipáticos ou até mesmo os mais introvertidos não têm chance aqui em Quissa. Afinal, em uma cidade com 14 mil habitantes, você TEM QUE falar com todo mundo para ser bem quisto. Um ciclo social aqui inclui praticamente todos os quissamaenses (hahahahahaha! Tá, é quase isso, gente!). Então, naqueles dias que você acorda de mal-humor, é melhor nem sair de casa. Corre o risco de amanhã estar todo mundo falando mal de você. E não duvidem disso.

 

                

Lagoa da Garça - Praia de João Francisco



 Escrito por Paulinha às 15h57
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Politicagens...

Costumo dizer que aqui em Quissamã o povo reclama de barriga cheia. Óbvio que é um exagero, mas eis aqui alguns exemplos:

 

- Se você quer fazer uma faculdade, a Prefeitura paga. Basta provar que você mora há pelo menos cinco anos na cidade. Pasmem... Só não tem nível superior quem não quer, né?

 - Se você não tem dinheiro para ter um lar, a Prefeitura oferece uma Casa Popular, com sala, dois quartos (maiores que o meu), cozinha, banheiro, varanda e terreno. Essa casa será sua e totalmente sua (!) dali a 10 anos. Nesse ínterim, qualquer despesa com problemas da casa é paga pela Prefeitura.

 - Se você tem filhos pequenos, a Prefeitura oferece uma creche com fonoaudiólogo, psicólogo, nutricionista e tudo mais. Além disso, a Prefeitura banca as despesas desde o acompanhamento da gestante até o nascimento do bebê (e você ainda leva um enxoval de brinde, que beleza!).

 - Se você quer se exercitar, a Prefeitura cede o espaço do Ginásio Poli-esportivo que, diga-se de passagem, é de botar no chinelo qualquer clube carioca que eu já freqüentei. Se quiser pegar uma piscininha, basta ir ao Parque Aquático, que não só tem uma como várias.

 - Se você está pensando em abrir um negócio que pode gerar empregos na cidade, é só pedir ajuda ao projeto “Quissamã-Empreendedor” (desculpem se o nome não é exatamente esse). Além de financiamento sem consulta no SPC ou Serasa (hahaha!), você ainda leva de brinde o acompanhamento e o monitoramento do seu negócio. Assim você não tem chances de errar, meu amigo!

 - Se o seu problema é a exclusão digital, junte R$350 para comprar uma antena específica e comece desde já a conectar-se à grande rede mundial. Internet de graça, gente, via rádio. Ah, ainda tem um programa de formação técnica em informática, no qual o aluno ganha para estudar.

 - Se você é velhinho, procure o PAI, Programa de Assistência ao Idoso, que oferece inúmeras atividades (inclusive ginástica, musculação e tai chi chuan) e, como o próprio nome já diz, assistência.

 - Se você tem um parente deficiente, procure o CAPS, Centro de Apoio Psico Social.

 

Fora os outros tantos programas que deixei de citar por não lembrar ou simplesmente desconhecer. Fora os dias que, como hoje mesmo, abro o jornal e vejo notícias tais como: “Mochila para todos – Secretaria de Educação começa a distribuir mochilas escolares para alunos da rede municipal” ou “100% PSF – Nesta sexta-feira (31), o município de Quissamã vai inaugurar mais uma unidade do Programa de Saúde da Família (PSF) e completar 100% de seu território coberto pelos serviços do programa” ou sobre o programa Agente Jovem, que capacita jovens de baixa renda em ações ligadas ao Meio Ambiente, Saúde, etc., com uma bolsa de R$65.

 

Aí, vem fulano dizer que explodiu a panela de pressão e achou um absurdo a Prefeitura não arcar com as despesas. Sicrano diz que não faz faculdade porque a Prefeitura só, repito, só (!) paga as mensalidades, mas não banca os livros nem a moradia. Beltrano que acha melhor ficar em casa recebendo o auxílio desemprego porque vale mais à pena do que ralar para ganhar a mesma coisa (ou até menos, dependendo do caso).

 

Na minha singela opinião, tudo culpa do próprio sistema de governo. Assistencialismo leva a isso. O povo quer tudo de mão beijada e ainda reclama se não é realmente TUDO. É complicado mudar isso, já que desde sua emancipação é assim (ok, ok, não tem muito tempo, mas haja vista que foi aí que Quissamã começou a crescer). Tudo bem que dizem que está mudando e realmente a gente vê alguns projetos que têm outro cunho. Mas, convenhamos, até eu que estou aqui há pouquíssimo tempo já estou ficando mal acostumada.

 

Estou transferindo meu título do Rio para cá, já que é aqui que pretendo viver meus próximos anos. E estou começando a prestar atenção nesses lances de política, que não vou entrar em detalhes até porque é muito chato (e tudo igual, se resumido). Mas estou de olho naqueles que também querem abolir essa prática assistencialista no intuito de ver a cidade e, mais do que isso, a SOCIEDADE crescerem. Esses têm meu voto. É aquela velha história, pra que dar o peixe se você pode ensinar a pescar?

 

Infelizmente, não sei se essa minha atitude vai adiantar em alguma coisa, já que aqui ainda se trocam votos por dentaduras (literalmente). Um conhecido meu foi candidato a vereador nas eleições passadas e, apesar de conseguir um número considerável de votos (o que fez com que ganhasse um cargo na Prefeitura), perdeu para aqueles que sabem exatamente como conquistar o povo. As pessoas diziam: “Ah, Fulano, eu bem que queria votar em você, mas o candidato tal veio aqui e reformou meu telhado. Aí, você sabe como é, né?”. É dose...

 

Em todo caso, não custa tentar. Meu voto pode até não alterar em nada, mas minha consciência estará limpa. Afinal, essas coisas não ocorrem somente em Quissamã, mas sim no mundo inteiro. O que eu não posso fazer é ficar parada “vendo a boiada passar”. Quem sabe eu não me empolgo e me candidato daqui a alguns anos. Ih... Me aguardem!!!

 



 Escrito por Paulinha às 00h13
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Farinha do mesmo saco

Acabei de ler “O Caçador de Pipas”, do escritor afegão Khaled Housseini. O livro é sensacional, repleto de ensinamentos e, mais do que isso, de reflexão. Não é à toa que, já há um bom tempo, ocupa os primeiros lugares nas listas dos mais vendidos no mundo.

 

Com uma narrativa profunda e bela, que conta a história de um personagem afegão, o escritor consegue fazer um resumo da existência humana em todos os seus aspectos. Temas como a frágil relação entre pais e filhos, o preconceito étnico e a morte, são apenas alguns dos assuntos nos quais o enredo se desenrola. Traição, culpa, omissão, segredos, vergonha são palavras-chaves desse livro que expõe a natureza humana de forma nua e crua, sem máscaras ou hipocrisia. Arrisco-me a dizer que “O Caçador de Pipas” é um espelho onde podemos enxergar além de nossa mera imagem refletida.

 

Na minha opinião, o mais surpreendente disso tudo é o fato de o livro ser de um escritor afegão, com uma cultura completamente diferente da nossa e até condenável por nós. Mais uma vez, chego à conclusão de que somos todos iguais, apesar de termos “rótulos” variados. As questões que nos assolam, as incertezas de nossa existência são as mesmas em qualquer canto do mundo. È incrível sermos tão diferentes e iguais ao mesmo tempo. Mas isso deveria ser óbvio, já que somos todos HUMANOS.

 

Esse livro veio em boa hora, pois estou vivendo um momento em que começo a perceber o quanto é importante lidarmos com as diferenças. Aliás, o quanto é importante pararmos de bancar os “donos da verdade” e aprendermos com aqueles que sabem tanto ou mais que nós. Não existem melhores ou piores.

 

A leitura também me despertou uma noção diferente de destino, há muito tempo esquecida em minha mente. A noção de ‘karma’, de que tudo tem uma razão de existir ou acontecer. De que resignação é diferente de passividade. Temos que tirar lições de nossas vidas, aprender com os erros e consertá-los, enfrentar os problemas com consciência, cair e levantar. Não que isso seja fácil. A vida não é fácil.

 

Bom, acho melhor eu ficar por aqui, senão conto o livro todo! Além disso, cada um deve tirar suas próprias conclusões, né? Recomendo a leitura e, consequentemente, a reflexão. Depois me digam o que acharam.

 

 

 

Restinga de Jurubatiba - Praia de João Francisco

(é aí que eu pego meu solzinho)



 Escrito por Paulinha às 15h35
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Ê ê, sô!

Parte de minha família veio de Campos dos Goytacazes, que fica mais ou menos a uma hora daqui. Por isso, já estava acostumada a ouvir certas gírias engraçadas, como “cabrunco lamparão”, e alguns brilhantismos gramaticais, como “bassoura de barrer a baranda” (hahaha, juro que não inventei isso!). Mas confesso que morar em Quissamã é muito mais divertido nesse sentido. Não resisti e tive que fazer um resumo para vocês das pérolas que costumo escutar por aqui.

 

A começar pela minha empregada, Denísia Márcia, que, cá entre nós, não passa um só dia sem nos presentear com suas passagens hilárias. Uma vez, depois de falar no “cerular”, ela virou e disse: “Ói, esse tempim tá lascado dimais! Podi contá qui vai arribá um chuveiro danado, qui nem onti. Já tá apontando uns pinguim finim. Ê ê!”. Outra vez, estava contando os problemas de saúde da família: ela está com o “tricerídio” alto, o irmão morreu de “letoespirrose”, a filha tem “pobrema no rins” e o marido teve que “capar um grão” (leia-se retirar um testículo) . Esses dias ela estava preocupada com os “garrapatos” do cachorro, que parecem uns “fejãozim” e “garram” na gente.

 

Os grandes proprietários rurais da cidade gostam de contar vantagem com suas plantações de “impim” e “vagi”. Como só andam em caminhonetes de última geração, com “carlotas” e “contra-giro”, eles despertam a inveja de alguns. Outro dia, um deles admitiu estar cansado de pessoas que se aproximam interessadas em seu dinheiro: “Dijá hoje, butei treize garrutíu pra correr” (trad.: Ainda hoje coloquei três 'safados' pra correr).  

 

Também há aqueles clientes que chegam aqui perguntando se eu “podo” cachorro (toso) ou se os meninos cortam o “cabo” (rabo) ou “capam fora os ôvim” dele (castram). São os mesmos que acham que animal com sarna é leproso e que toda injeção é vacina.

 

Além dos divertidíssimos dizeres, o povo daqui também conta muita história fantástica e jura de pé junto que é verdade. Um senhor nos disse que toda noite, quando vai dormir, escuta uns barulhos no estábulo. Na manhã seguinte, encontra seu cavalo selado, com impecáveis tranças na crina e no rabo. Quem fez? Foi o Saci. Ele sabe disso porque observou apenas uma marca de suor na barriga do bicho, o que caracteriza que quem o montou era perneta. Pasmem...

 

A gloriosa Denísia também nos contou que, há um tempo atrás, as pessoas evitavam passar por uma rua aqui perto. Motivo? Era lá que morava o Boi-Tatá, uma mistura de homem e bicho, que não sei exatamente o que é (santa ignorância!). Disse que um primo foi passar por lá à noite e voltou para casa todo urinado de medo. O monstro sacana gostava de assustar as pessoas com um rugido de fera e saía correndo atrás delas.

 

Ah, e vocês sabiam que grávidas comem telhas e tijolos? Não me digam que nunca viram uma gestante pedindo para o marido ir à olaria no meio da noite? E, outra coisa: quando tem muita cadela no cio perto de suas casas, redobrem os cuidados anticoncepcionais, senão é fato que vocês terão um bebê. É dito e feito, o pessoal daqui garante.

 

E, para finalizar, aí vai uma dica: tomem cuidado com os ratos. Um conhecido nosso contou que deixou uma panela em cima do fogão e, quando foi ver, o rato tinha roído o fundo todo. O dentuço deve ser parente do Roberto Jéferson, pois tinha dentes de aço (ok, essa foi péssima).

 

Bom, depois de eu metralhar vocês com tanta coisa inútil, só me resta acabar esse post com alguma mensagem profunda. Então, aí vai:

 

“Não é preciso consenso

nem arte,

nem beleza ou idade:

a vida é sempre dentro

e agora.

(A vida é minha

para ser ousada.)

 A vida pode florescer

numa existência inteira.

Mas tem de ser buscada, tem de ser

conquistada.”

 

Lya Luft

 



 Escrito por Paulinha às 11h10
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